Extraído do blog do Gerald Thomas, apesar de minha leve antipatia pela sua figura. Mas o poema é de Ana Peluso.
densas matas
tu desbravas
filho Oxóssi
corre em tua veia -
como Atéia, aquela esguelha
que te flerta todos os dias,
- o mutável ato do flerte.
e
teu pai,
que te busca sem te encontrar nem onde habitas
e bate teu coração
sequer sabe onde tu moras
caso não digas.
ou
quando salta entre e uma outra mata:
— A melhor caça sempre foi a próxima!
: e costuma dizer.
Ninguém intervém.
Salta de um fauno para outro,
sem saber que salta faunos.
Transforma o ar que respira
sem intenção de respirar.
— Foi caçar, o menino!, alegra-se, a mãe!
— Foi buscar abastança pra aldeia!, endossam os homens da aldeia
à qual pertences, filho Oxóssi.
A que te faz sentir como à teu Pae.
As lápides que consagram teu vôo raso
não são as matas verdadeiras por onde Oxóssi zune
e te espera,
como promessa.
Mas isso não consola Oxóssi
porque
como a lembrança cosmo-genética que você não consegue ouvir - filho Oxóssi
ainda finge não escutar os assovios.
Escrito por Isac Tufi às 15h42
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